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Oração como diálogo em São Francisco

16, abril, 2009

Frei Hipólito Martendal

1. Já ouvi muitas vezes falar em Oração como Encontro. Anselm Grün tem um livro como este título nas Vozes que recomendo sempre. Mas receber de nossa Ministra Regional da Ordem Franciscana Secular um pedido para escrever sobre Oração como Diálogo me encantou.

Realmente, qualquer oração razoável deveria ser fruto de um autêntico encontro entre o orante e Deus. Acontece que encontro para ser algo decente precisa ser livre e conscientemente desejado pelas duas partes. Melhor é quando foi previamente combinado pelos dois. Oração com hora marcada pode ser preparada: procure local apropriado; interrompa toda atividade; elimine tudo que puder interromper ou distrair (sem telefones, tevê, som, jornais, revistas); ponha-se em clima de oração, invoque o Divino Espírito.

2. PESSOAS FALAM E SÃO OUVIDAS no encontro. O modelo mais simples e feliz da Oração como Encontro é assim descrito. Depois dos preâmbulos acima enumerados, como Deus é a outra Pessoa infinitamente mais importante, preciso dispor-me a ouvi-lo. Por isso leio, ou ouço a palavra Divina. A seguir medito sobre ela. Só depois rezo. De preferência faço orações espontâneas que texto e meditação me inspiram. É, claro que em muitas meditações minha realidade pessoal, aspectos de minha vida, vivências, sentimentos, afetos, emoções positivas ou negativas afloram à consciência. Coloque tudo diante de Deus. Ele é seu confidente único, incomparável. Tudo é natural para sua oração. Até nossos pecados são ótimos motivos de oração.

3. É ORAÇÃO-DIÁLOGO? Ou seria DIÁLOGO-ORAÇÃO? Em primeiro lugar preciso dizer que Diálogo tem tudo a ver com ENCONTRO de qualidade. Os melhores encontros entre duas pessoas são os de amor. E duas pessoas não conseguem amar-se de verdade sem dialogar. Por quê?

Vamos ver quais são as coisas mais imprescindíveis para quem deseja o dialogar. Em primeiro lugar é necessário saber que o Diálogo tem um único objetivo fundamental: compreender a outra e por ela ser compreendido. Sem compreender, o amor não se aprofunda e não se fortalece. A compreensão é o oxigênio do amor.

Em segundo lugar o Diálogo depende da capacidade de cada um saber fazer silêncio no seu interior e ouvir com atenção total o outro. Este silêncio interior é facilitado pelo desapego, desapego também de si próprio, de suas coisas, cortadas e desejos pessoais. Isso faz parte da pobreza e do ser menor de São Francisco.

4. FRANCISCO É MESTRE COMPLETO NA ORAÇÃO-DIÁLOGO. Como ninguém ele sabia procurar e ouvir a voz de Deus. Em alguns de seus escritos as citações e referências a textos da Bíblia são tão abundantes que chegam a ocupar metade do espaço. Acreditava de toda a alma que Deus falava diretamente com ele através de sonhos-visões, leituras e explicações do Evangelho. Foi assim que durante o tempo de sua conversão, tendo na missa ouvido a narração dos discípulos enviados a pregar, Francisco procurou depois o padre e quis saber mais. Diante do exemplo da total pobreza e precariedade dos enviados exclamou extasiado: “ É isso que eu quero, é isso que procuro, é isso que eu desejo de todo o coração”. Este pode ser considerado o momento do nascimento da Ordem de São Francisco.

Suas orações são o fruto imediato de longas meditações, contemplações arrebatadoras e êxtases. Esquecido de si, Francisco estava totalmente encantado e arrebatado pelo Deus-Paixão. “ Grande e magnífico Deus, meu Senhor Jesus Cristo…”.

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A Vida de São Francisco de Assis

29, outubro, 2008

São Francisco nasceu em 1182 em Assis na Itália, foi batizado com o nome de Giovanni di Pietri, mas seu nome foi mudado pouco tempo depois para Francisco, pois seu pai Petri di Bernardone era comerciante e viajava muito a França, mudou o nome do filho em homenagem ao local que fazia bons negócios.

Em 1198 acontece um conflito em Assis, entre a nobreza e os comerciantes. Os nobres se refugiam em Perusa uma pequena cidade próxima de Assis, onde São Francisco ficou preso por um ano até o ano de 1204. Em Perusa também estava a família de Clara.

Ao voltar para Assis, São Francisco doente começa sua conversão gradual, se dedica a dar esmolas e oferece até suas roupas aos pobres, tem visões e começa a desprezar o dinheiro e as coisas mundanas. Até que ele se encontra com um leproso, lhe dá esmola e um beijo, e este acontecimento marcou tanto a vida dele que, dos muitos fatos ocorridos em sua vida, este foi o primeiro que entrou em seu Testamento, “pois o que antes era amargo se converteu em doçura da alma e do corpo”.

Outros encontros afirmaram ainda mais a vocação de São Francisco, nas ruínas da da igraja São Damião recebeu do crucificado o mandato de restaurar a Igreja. Obediente ao mandato, São Francisco pôs-se logo a trabalhar. Reconstruiu três pequenas igrejas abandonadas: a de São Damião, a de Santa Maria dos Anjos e a de São Pedro.

Seu pai, envergonhado do novo gênero de vida adotado por Francisco, queixou-se ao bispo de Assis da prodigalidade do filho e, diante do prelado, pediu a Francisco que lhe devolvesse o dinheiro gasto com os pobres. A resposta foi a renúncia à vultosa herança: despindo, ali, suas vestes, Francisco exclamou:

“… doravante não direi mais pai Bernardone, mas Pai nosso que estás no céu…”

A partir desse momento passa a viver na pobreza, e inicia a ordem franciscana, cresce o número de companheiros, 1209 já são 12. Cria uma regra muito breve e singela, que o papa Inocêncio III aprova em 1210, e cujas diretrizes principais eram pobreza e humildade, surge assim a Fraternidade dos Irmãos Menores, a Primeira Ordem.

No Domingo de Ramos de 1212, uma nobre senhora, chamada Clara de Favarone, foi procurar Francisco para abraçar a vida de pobreza. Alguns dias depois, Inês, sua irmã, segue-lhe o caminho. Surge a Fraternidade das Pobres Damas, a Segunda Ordem. Aqueles que eram casados ou tinham suas ocupações no mundo e não podiam ser frades ou irmãs religiosas, mas queriam seguir os ideais de Francisco, não ficaram na mão: por volta de 1220, Francisco deu início à Ordem Terceira Secular para homens e mulheres, casados ou não, que continuavam em suas atividades na sociedade, vivendo o Evangelho.

A Ordem Francisca cresceu com o passar dos anos. Em 1219 houve uma grande expansão para a Alemanha, Hungria, Espanha, Marrocos e França. Neste mesmo ano São Francisco vai em missão para o Oriente. Durante sua ausência, vigários modificam algumas regras da Ordem e no mesmo ano de 1219 São Francisco se demite da direção da Ordem.

Com o crescimento da Ordem, quase 5.000 frades em 1221, uma nova regra foi escrita por São Francisco em 29 de novembro de 1223 que foi aprovada pelo papa Honório. é a que vigora até hoje.

Em 1224 no dia 17 de setembro São Francisco recebeu as chagas de Jesus crucificado em seu próprio corpo, este fato ocorreu no Monte Alverne, um dos eremitérios dos frades.

Os últimos escritos de São Francisco são entre 1225 e 1226, dentre eles o Cântico das Criaturas e o Testamento. Nestes mesmos dois anos, Francisco vai a vários lugares da Itália para tratar de suas vistas. Passa por diversas cirurgias. Morre aos 03 de outubro de 1226, num sábado.

Morreu nu aquele que começou a vida de conversão nu na praça de Assis diante do bispo, do pai e amigos. Morreu ouvindo o Evangelho de João, onde se narra a Páscoa do Senhor, aquele que recebeu os primeiros companheiros após ouvir o Evangelho do envio dos apóstolos. Foi sepultado no dia 04 de outubro de 1226, Domingo, na Igreja de São Jorge, na cidade de Assis.

São Francisco de Assis foi canonizado em 1228 por Gregório IX e seu dia é comemorado em 04 de outubro.

Em 25 de maio de 1230 os ossos de São Francisco foram levados da Igreja de São Jorge para a nova Basílica construída para ele, a Basílica de São Francisco, hoje aos cuidados dos Frades Menores Conventuais.

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